quinta-feira, 4 de junho de 2009

Tá tarde, já. Pulei da cama só pra escrever esse trecho. Amanhã tem prova de história. Pretendo ver uma palestra e comprar uma blusa. Mas para isso, devo almoçar no colégio. Preciso comprar cigarros. Sábado é a minha prova do intercâmbio. Devo comprar cigarros, e chicletes, e condicionador, que acabou. Aquele lá, de marca estranha, amarelo, foda-se, adoro. Certo, estou fazendo uma lista, aqui. É de propósito, viu. Que é para não esquecer dos passos de amanhã, e é também porque estou incapaz de formular frases de blog, sabe. Perdoa. Tô morrendo de sono a semana inteira. Juro que não parei um minuto e há dias tô sentindo um frio que nunca senti. Não consigo me manter aquecida. Amanhã preciso ler jornal feito uma filha da puta e eu duvido que vá fazer sol. Preciso ler esse tanto por causa da prova, que é sábado agora. Eu já disse, né. Isso, sábado bem cedo, umas 7h da manhã. Estou agitada. Sono e euforia, odeio essa combinação. Não paro de ouvir Metric. Queria muito que alguém me ligasse. Mesmo. Alguém tipo a Gabs, assim. Ou qualquer pessoa. Mas é que a Gabs mora na França já tem uns anos e eu tenho certeza que de todo jeito ela diria "Oi, Cora, senti que você vai fazer uma prova importante daqui a pouco. Eu odeio acordar cedo, mas aqui na França já passa de meio dia, então eu resolvi te ligar. Boa sorte, meu amor."

Até parece.

Oi. Sei de tudo.

Tenho visto seus olhinhos pretos me olhando e percebi também que você anda apagando as luzes antes do fim do expediente, para que eu pense que você já se foi. Talvez para outro aposento, dentro da casa mesmo, ainda não sei os detalhes. Conte-me os detalhes, qualquer dia desses. Eu não devo escrever mais, por hoje. Hoje chegam em minha casa um antigo amigo e a sua família. Ele mora na Alemanha já faz tempo. Acho que eu nem era casada. Ou, se era, ainda não sabia disso, da maneira que as pessoas sabem, ou acham que sabem, quando se casam. Eu nunca lhe contei, mas o meu casamento foi mais ou menos uma armação. Era nisso que a gente acreditava na época. Mentir pra si próprio. Enfim, eles chegam daqui a pouco e eu estou assustada, porque quero parecer a mesma, ou melhor. É mais ou menos como rever um amor da adolescência. Não é o caso. Mas é um pouco isso. Como se, imagine, eu fosse remostrar o meu corpo ao primeiro idiota que me viu nua. Eu tenho curiosidade para saber a opinião deste idiota inicial. Não é, realmente, o caso. Esse amigo nunca foi um amante. Bem que tentou. Mas todos os homens tentam comer as suas amigas. A não ser que as amigas sejam feias ou os homens, gays. É muito aborrecedor ficar driblando os assédios dos amigos. Esse me cansou bastante, durante um longo tempo. Depois abaixou o fogo. E agora... Bom, vamos ver. Talvez eu não vá escrever nos próximos dias. Mas você poderá me ver dançando. Sempre. Para sempre. Meu lindo amor barrigudo e estranho. Sabe de uma coisa estranha? Outro dia vi na TV um programa sobre o Papa e o achei parecido com você, quando ele tinha sua idade. Maluquice? Talvez eu tivesse uma certa predisposição a achá-los parecidos. Mas os poloneses são meio parecidos entre si, não são? Eu tenho essa impressão. Mesmo só conhecendo de polonês você e o Papa. Ah, e o Polansky. Vocês não parecem com o Polansky. E os alemães? Acho um povo esquisitíssimo. Alemães e os japoneses. Eu sei que tudo isso é besteira. É que não gostaria de me despedir tão rápido. Tem umas besteiras ainda maiores que eu fico pensando. Ultimamente, por exemplo, eu cismei que todo mundo em Hollywood é viciado em heroína. E que a Tailândia precisa, urgentemente, de intervenção de um exército de beatas religiosas. São os programas a que tenho assistido na TV a cabo. É isso. Na próxima carta, tentarei ser mais poética. Te adoro. Não sei por quê, ainda. Talvez porque o seu olhar me faz dançar melhor. Beijos. A.


do livro Carta Para Alguém Bem Perto, FY.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Túnel.

Túnel. Túnel. Túnel. E mais túnel. Nunca se soube de tanto túnel junto. Alguns, de uma eternidade kardecista. Pareciam almas vagando pela escuridão e luz. Quietos, como almas precisam ficar. Ela sentia o claro e escuro freqüente feito a vida, de sins e de nãos, algo assim. Ele dirigia, com olhar caído. Era um daqueles silêncios entre amigos que não traduzem intimidade, porém melancolia. Eles ficaram de repente tristes. Talvez apenas cansados. Ou imaginavam o que fazia deles isso, fugitivos.

domingo, 10 de maio de 2009

sabemos pouco, Cecília.

temos pouco a contar:

tua doce ladainha,

a fria estrela polar

a tarde em funesta trilha,

a trilha por terminar

precipita a profecia:

tão curta é a vida, Cecília,

tão longa a rota do mar...

terça-feira, 5 de maio de 2009

Rascunho; parte um.

Ó, nem te conheço mas vou dizer que eu devo ter algum tipo anormal de Déficit De Atenção. Juro, cara. Por deus.
Se não me arranjam alguma bobeirinha pra eu ocupar a mente sou capaz de perder meu dia inteiro olhando pro teto. A imaginação monopoliza totalmente o resto dos comandos, meu, é a maior doideira. E pasme, às vezes nem a Patti Smith gritando GLORIA em 75 não me tira dessa nóia. Então eu leio livros, e leio qualquer coisa adoidada pra contornar isso. Pra me fixar em algo, saca, e apagar todo o resto. Os livros são meu brinquedo, minha chupeta e minha Ritalina, né, já que minha mãe odeia que eu tome esses remédios. Ah, e eu leio tudo de madrugada, mesmo, porque também sofro de insônia.

Ui, perdão. Meu nome é Emília, aliás.
Meu nome é Emília e eu estou entediada. Ponto.

Também escrevo o tempo todo, vezenquando é só pelo tédio, mas normalmente é pra excretar o acúmulo de carga emocional adquirido na leitura. Leio e escrevo, portanto, não só para cultivar olheiras e graus de miopia, mas porque jorrando as coisas no papel desse jeito eu passo a me conhecer melhor, né.
E cara, nem sei quem sou. Sou isso, sou aquilo, sou a puta que o pariu - podem me dizer o que for, continuo sem fazer idéia. Sou um amontoado de possibilidades, pronto. Do tipo: se eu fosse, talvez eu seria. Penso nisso às vezes. Não sei. Posso ter o potencial de um gênio, foda-se. Acima de tudo, sou fascinada pela minha própria indiferença.
.

Uma pausa aqui pra eu te adivinhar: tu tava quase achando que era meu amigão, já, né? Que já sabia o bastante pra dizer que me conhece, tudo. Olha, eu sou mesmo um amorzinho, mas já vou avisando que sou também a maior vaca egocêntrica. Juro que me adoro, falei. Desde que me dou por gente, eu me adoro, de verdade. Acho até de certa forma saudável, isso. Em todos os meus 16 anos de vida, por exemplo, tem sido muito mais interessante pensar em mim do que no resto da população. Eu, eu, eu. Escrever sobre mim mesma. Esboçar conclusões sobre mim mesma. Sabe, me explorar. Tanta coisa a se descobrir, é incrível, delicioso. Mas também tanta coisa podre - fico besta, Jesus. O que me acontece é que é muita Emília prum corpo só, e às vezes elas meio que brigam aqui dentro. Doideira. E é sempre idéia demais pra pouco vocabulário, ou é aquela pré-idéia que ainda não sabe que vai ser idéia porque ainda não se concretizou, ou perdeu-se, ou vazou-se pelos meus póros, rompida por uma onda infreável de pensamentos libidinosos. Opa!
Em outras palavras, o que rola é mais ou menos o seguinte:
tou lá eu, concentrada, quase concluindo uma linha fudida de pensamentos elaborados com toda delicadeza do mundo, e pronto, dois segundos pra um pênis aparecer na testa dessa delicadeza. E de repente uma buceta. Daí um pênis e uma buceta. E depois só a buceta. E pronto, rompeu-se a linha de conclusão e lá se foi a atenção do dia.
Percebe? A inquietude jovem sempre borbulhate nos músculos e nos neurônios, "Jovem Bonito & Cheio de Potencial" como eles dizem, mas jovem todo cagado por conta dos hormônios. Quanta besteira.
A questão é que eu poderia ser genial. Juro por deus que todo mundo que eu conheço, poderia. Mas a gente sempre acaba se deixando levar pela burrice padrão de todo adolescente tapado. Ué. Bando de entediado alienado, mesmo, é claro que vai dar merda. E é claro que vai dar pênis, vai dar cu, vai dar buceta. E a gente não tá nem aí, mesmo. A gente quer pagar de informado descolado poeta descabelado revolucionário, mas não perde sequer um programa do Gordo na MTV. E na aula de história, quando o professor começa a falar do presidente americano, todo mundo dá adeus ao pênis e à MTV pra virar de esquerda. O contraste é impressionante. De repente estou numa sala com quarenta pupilos que se preocupam em detestar a Coca-Cola e o George Bush. Quarenta pseudo-marxistas mirins, envolvidíssimos. À merda. Eu, não. Eu me preocupo em escrever poemas. E todos sobre mim mesma, é claro. ..... (continua!)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

fim de semana no centro.

-OOOi, sou a Cora. Senta aí, tem cadeira!
-He, brigada... Eu sei, conheço você.

Vou dizer que ocorreu umas três vezes, em lugares distintos, grupos de gente que nunca vi na vida me chamando pelo nome. Isso era mais comum nos meus 14 anos, hm.
Porque, hoje, atenção:

1. Sou pobre,
2. Não tenho banda,
3. Já mudei mil vezes de orkut, sabe, quais as chances?
...
Weird.


Cacete. Estamos em maio. Whatever, hoje o dia todo só ouvi Los Hermanos ou aquelas bandas fanchas que dão vontade de tirar a roupa e morder as coisas, oi.

Fora isso, hoje é feriado do trabalhador, palmas.
Mas olha, nada de levantar cartazes na rua: quero é comer mandioca frita com Hellmann's e ler o livro que chegou da Fernanda Young. A TPM perdoa e até justifica a veia revolucionária enferrujada, vai. Quanta besteira...

Que venha o mês de maio, que venha mil recuperações de uma vez e, porfavorzinho, o show do Dominatrix. Logo. Tudo junto, mesmo, quero nem saber. Saudade monstro de SP.

E que venha a Lu, também, porque sinto falta, falei.