Cara, você também? As pessoas às vezes me olharem como se esperassem alguma explicação. E não, não é bem um sotaque. Não se pode chamar assim, é só o jeito que eu falo, não tem nada nele que seja característico de uma certa região. Minha mãe é paulistana, meu pai é de Pederrrneiras, daí ficou desse jeito, ué. Avoada que só, falo manso e com preguiça de terminar cada sentença, sem contar que em pequena tive língua presa, e partindo daí já usei nos dentes todos os tipos de aparelhos que se pode imaginar. Pronto. Daí hoje eu falo assim. Tá explicado?
Mas olha, só pra você saber, me vesti desse jeito hoje porque estou com cólica, sabe. Adoro dormir com essa calça. É moletom, saca? Não aperta meu útero, coitado, deixa ele. E as minhas roupas de ir pra aula, algumas tem furinhos, mesmo. Sempre fui meio menina-moleque, nunca me incomodaram. Ai, o jeito que eu falo. Ai, as notas na escola. Ai, a minha postura torta, porra, fiz 5 anos de hipismo e não ajudou em porra nenhuma, então paciência. Os meus fins-de-semana-maratona. O meu humor, que a cada 5 minutos já é outro. Quer explicação pra isso também?
Ah, eu que sempre estou rodeada de gente. Eu que, mesmo assim, tenho mania de solidão. Por quê? Isso alguém explica? Por que é que eu tenho covinhas só do lado esquerdo, sendo que faço tudo virada pro lado direito? Durmo, escrevo, beijo. Talvez até mastigue mais pra esse lado, quem é que está lá para contar? Não sei nem escrever meu próprio nome com a mão esquerda, poupe-me. E nem fumar. Os dedos bobeiam, as cinzas caem nas roupas. Aliás, por que é que eu aceito todo cigarro que me oferecem? Heim?
{Caralho, só quero poder levar um travesseiro na mochila pra poder dormir em paz na aula de álgebra sem ninguém encher o saco. Mó friozinho. Seis da manhã. Não fode com perguntas, vai.}
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Fun Home.
ontem peguei pra ler de novo! melhor HQ do mundo.
com gosto de café e cheiro de compras.
caí na cama da minha mãe, puxei a luminária, fiquei uns cinco minutos só olhando pro teto, largada, os pensamentos desconexos, until we felt red.
daí o livro. ai, aquele mesmo. até cheirei as páginas e contornei de leve, com a ponta dos dedos, os desenhos da capa. tudo isso muito lentamente, gestos mansos e infinitos, todo cuidado do mundo. li uma página ou duas, fechei os olhos e tentei lembrar, a mão na testa. daí a mão lá longe, o cheiro, o tal do grito mudo, lá bem distante mesmo, de quando eu sofria só de vazio-e-ponto, no lugar de sofrer de amor-e-vírgula
,
vírgula.
gente vai, gente vem, coisas mudam sempre, criam formas e se desfazem. plim! a vida. que tipo de vida é essa, de gente que nem percebe a vida? no fim, a gente não tem muita escolha: ou tá na merda, ou tá na merda. e sempre tá na vida, e todo mundo tá na merda junto, então de alguma forma a gente não tá sozinho. na vida.
vírgula.
sem contar que, né, adolescente burro é tudo assim mesmo. sofre de amor, de vazio existencial, de tédio, de amor, de amor e de sonhar. e sofre até de rir. de rir, cara! sofre, mas ri, entende? sempre acaba rindo. daí não reclamo. tenho em mim todos os sonhos do mundo e uma certeza de um dia vive-los um por um, marcá-los, uma certeza viva, que pulsa, que eu não explico.
pois bem. o livro.
ontem quis buscar nele uma nostalgia distante, de quando eu não a conhecia e nem sabia de nada sobre o tudo: sobre a vida. guriazita espoleta que eu era, vida numa bolha, batata frita e cabelo laranja. 'vazio-e-ponto', amor pela vida e só por ela. simples assim, bucolismo, Amélie e Macabéa dando as mãos, sorvete de maracujá e joelho de terra.
daí o tempo atropelou, 'crescer é na porrada', asfalto, maos soltas e o medo. a gente passou a fingir. porque é isso que fazemos, todos, criamos formas. é uma luta diária, mas quero eu, também, acordar todos os dias e ir para a escola, dormir com a cara no caderno e levantar com o rosto todo marcado. sorrindo ou não, foda-se: bom dia, Dona Indiferença!, porque a gente veio aqui pra rir. a gente sempre acaba rindo, afinal. e fingindo, e moldando, criando formas e deixando que se desfaçam com o tempo que sempre atropela, e a gente nem sempre percebe. a vida, o livro, o café, a foto, a viagem, a paisagem: tudo passa batido e some. o sentido desse post, inclusive.
com gosto de café e cheiro de compras.
caí na cama da minha mãe, puxei a luminária, fiquei uns cinco minutos só olhando pro teto, largada, os pensamentos desconexos, until we felt red.
daí o livro. ai, aquele mesmo. até cheirei as páginas e contornei de leve, com a ponta dos dedos, os desenhos da capa. tudo isso muito lentamente, gestos mansos e infinitos, todo cuidado do mundo. li uma página ou duas, fechei os olhos e tentei lembrar, a mão na testa. daí a mão lá longe, o cheiro, o tal do grito mudo, lá bem distante mesmo, de quando eu sofria só de vazio-e-ponto, no lugar de sofrer de amor-e-vírgula
,
vírgula.
gente vai, gente vem, coisas mudam sempre, criam formas e se desfazem. plim! a vida. que tipo de vida é essa, de gente que nem percebe a vida? no fim, a gente não tem muita escolha: ou tá na merda, ou tá na merda. e sempre tá na vida, e todo mundo tá na merda junto, então de alguma forma a gente não tá sozinho. na vida.
vírgula.
sem contar que, né, adolescente burro é tudo assim mesmo. sofre de amor, de vazio existencial, de tédio, de amor, de amor e de sonhar. e sofre até de rir. de rir, cara! sofre, mas ri, entende? sempre acaba rindo. daí não reclamo. tenho em mim todos os sonhos do mundo e uma certeza de um dia vive-los um por um, marcá-los, uma certeza viva, que pulsa, que eu não explico.
pois bem. o livro.
ontem quis buscar nele uma nostalgia distante, de quando eu não a conhecia e nem sabia de nada sobre o tudo: sobre a vida. guriazita espoleta que eu era, vida numa bolha, batata frita e cabelo laranja. 'vazio-e-ponto', amor pela vida e só por ela. simples assim, bucolismo, Amélie e Macabéa dando as mãos, sorvete de maracujá e joelho de terra.
daí o tempo atropelou, 'crescer é na porrada', asfalto, maos soltas e o medo. a gente passou a fingir. porque é isso que fazemos, todos, criamos formas. é uma luta diária, mas quero eu, também, acordar todos os dias e ir para a escola, dormir com a cara no caderno e levantar com o rosto todo marcado. sorrindo ou não, foda-se: bom dia, Dona Indiferença!, porque a gente veio aqui pra rir. a gente sempre acaba rindo, afinal. e fingindo, e moldando, criando formas e deixando que se desfaçam com o tempo que sempre atropela, e a gente nem sempre percebe. a vida, o livro, o café, a foto, a viagem, a paisagem: tudo passa batido e some. o sentido desse post, inclusive.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
época de cereja?
estou no meio das suas fotos, igual o Thom Yorke...
e pensando aqui. poeta, palhaço, mímico, escritor, psicólogo, moderninho-neurótico, artista-plástico, mas nós. e nós? nós que temos cores, nós que nos atiramos, nós que não sabemos escrever direito mas que passamos a ver tudo com aquela intensidade toda, qual o nome disso? somos diferentes do resto das pessoas porque elas deixam de sentir tudo ao redor? oito ou oitenta, 'coisas como são' e ponto final. é isso. se sou poeta não sei, mas mais do que isso, nasci menina e sou pessoa, de cara pele olho boca cabelo nariz coração pulso, sou humana. todo esse cargo de ser gente um dia já coube em mim. hoje tudo é vício, luxo. é um pouco de vício, sim, que sempre acaba em um ciclo. e dói, viu. dói feito nostalgia, até se confunde com alegria, mas acima de tudo, tem como lei me consumir dia após dia.
foda-se, mas e nós?
e pensando aqui. poeta, palhaço, mímico, escritor, psicólogo, moderninho-neurótico, artista-plástico, mas nós. e nós? nós que temos cores, nós que nos atiramos, nós que não sabemos escrever direito mas que passamos a ver tudo com aquela intensidade toda, qual o nome disso? somos diferentes do resto das pessoas porque elas deixam de sentir tudo ao redor? oito ou oitenta, 'coisas como são' e ponto final. é isso. se sou poeta não sei, mas mais do que isso, nasci menina e sou pessoa, de cara pele olho boca cabelo nariz coração pulso, sou humana. todo esse cargo de ser gente um dia já coube em mim. hoje tudo é vício, luxo. é um pouco de vício, sim, que sempre acaba em um ciclo. e dói, viu. dói feito nostalgia, até se confunde com alegria, mas acima de tudo, tem como lei me consumir dia após dia.
foda-se, mas e nós?
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
não consigo escrever.
essa já deve ser a quinta folha arrancada; nada fica bom. estou com aquele nó, que se prende entre garganta e coração e não sai, de jeito nenhum. vezenquando eu consigo desfazê-lo nas palavras, por meio de caneta e papel, mas hoje não. nada fica bom.
minhas mãos estão inquietas, ajeitando o papel sobre a mesa o tempo todo. cruzo e descruzo as pernas. olho pela janela, troco de cadeira e olho de novo. leio e releio os textos sem fim, busco palavras nos rascunhos amassados. mesmo assim, nada fica bom.
mas e o nó, como fica? não consigo escrever, mas o nó está aí, se apertando cada vez mais contra a garganta, conforme respiro. vezenquando eu ligo a tv e abro a boca pra dar risada, daí ele afrouxa um pouco. vezenquando nem isso. tenho vontade é de abrir a boca pra falar, falar tudinho, até ele sumir, mas falar como, se me esqueci até de como se pega numa caneta? falar com que língua, em qual idioma? com que peito, gente, falar?
não consigo escrever, nem fazer barulho nenhum. resta-me aquela sensação que a gente tem às vezes, quando termina de ver um filme intrigante, ou de ler o melhor livro do mundo... nesses casos o dia quase sempre tá nublado igual hoje, e a gente quase sempre chora por coisa boba.
é o nó.
vezenquando ele aperta, mesmo, daí me lembro dessa nossa mania de querer ver poesia em tudo, e dessa outra mania que é só sua, de querer transformar nó em laço. isso renderia mais de uma página, duas, vinte, trinta páginas, é coisa sutil e perfeita que não cabe aqui, mas não adianta. não consigo escrever. o que eu quero passar é coisa pequena demais, tão muída que não cabe nessa folha. se dissolve. se perde no vão entre as letras que formam uma palavra. me atravessa os poros, e pronto, quando eu vejo já sumiu em mim.
igual a gente quando acorda e tenta lembrar de um sonho, mas quando vira a cabeça pra ver que horas são, ele já se perdeu. puft. perdi, mesmo.
minhas mãos estão inquietas, ajeitando o papel sobre a mesa o tempo todo. cruzo e descruzo as pernas. olho pela janela, troco de cadeira e olho de novo. leio e releio os textos sem fim, busco palavras nos rascunhos amassados. mesmo assim, nada fica bom.
mas e o nó, como fica? não consigo escrever, mas o nó está aí, se apertando cada vez mais contra a garganta, conforme respiro. vezenquando eu ligo a tv e abro a boca pra dar risada, daí ele afrouxa um pouco. vezenquando nem isso. tenho vontade é de abrir a boca pra falar, falar tudinho, até ele sumir, mas falar como, se me esqueci até de como se pega numa caneta? falar com que língua, em qual idioma? com que peito, gente, falar?
não consigo escrever, nem fazer barulho nenhum. resta-me aquela sensação que a gente tem às vezes, quando termina de ver um filme intrigante, ou de ler o melhor livro do mundo... nesses casos o dia quase sempre tá nublado igual hoje, e a gente quase sempre chora por coisa boba.
é o nó.
vezenquando ele aperta, mesmo, daí me lembro dessa nossa mania de querer ver poesia em tudo, e dessa outra mania que é só sua, de querer transformar nó em laço. isso renderia mais de uma página, duas, vinte, trinta páginas, é coisa sutil e perfeita que não cabe aqui, mas não adianta. não consigo escrever. o que eu quero passar é coisa pequena demais, tão muída que não cabe nessa folha. se dissolve. se perde no vão entre as letras que formam uma palavra. me atravessa os poros, e pronto, quando eu vejo já sumiu em mim.
igual a gente quando acorda e tenta lembrar de um sonho, mas quando vira a cabeça pra ver que horas são, ele já se perdeu. puft. perdi, mesmo.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
deep red
Cochonilha é o nome de um corante cor carmim, utilizado em tintas, cosméticos e como aditivo alimentar.
Pasmem: é um bichinho. Um inseto pequeno. Sabiam? E a gente os come quando chupa daquelas balas bem artificiais, de morango.
O blog foi feito não só pra eu comentar o porque de suas calças serem vermelhas, mas pra falar de coisinhas pequenas assim, talvez um pouco mais cotidianas do que a existência desse insetinho, mas que podem passar tão despercebidas quanto...
Tipo pingos de chuva no nariz. Sorrisos e abraços.
Ou só crises de menina, mesmo...
Pasmem: é um bichinho. Um inseto pequeno. Sabiam? E a gente os come quando chupa daquelas balas bem artificiais, de morango.
O blog foi feito não só pra eu comentar o porque de suas calças serem vermelhas, mas pra falar de coisinhas pequenas assim, talvez um pouco mais cotidianas do que a existência desse insetinho, mas que podem passar tão despercebidas quanto...
Tipo pingos de chuva no nariz. Sorrisos e abraços.
Ou só crises de menina, mesmo...
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