sábado, 25 de abril de 2009

frankly,


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keep it clean, sugar.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

"Significado Solto?"

Ela é as palavras que esqueci.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

meio arrasada, acho.

assim, de soluçar sem motivo.


"Tive vontade de sentar na calçada da rua Augusta e chorar, mas preferi entrar numa papelaria e comprar um caderno lindo para anotar sonhos." - caio f abreu, né.

Esqueci pra quê de tanto.
Nem escrever, nem escola, nem as horas, nem Meryl Streep ou pão com manteiga ou óculos escuros ou fotografia ou nostalgia ou pornografia ou alegria não tem mais. Sentido. Nenhum.

Eu queria dizer que o momento mais esperado do dia é quando eu chego exausta de sei lá onde, e deito, e durmo. Mas não, não vou dizer isso. Deixa pra uma próxima. Hoje o dia mal começou e eu já estou cansada. Além do mais, os flocos de sucrilhos amoleceriam dentro do iogurte enquanto eu escreveria sobre tudo. Sinceramente, ninguém quer que isso aconteça. Quem é que gosta de sucrilhos mole?
Tá louco.

domingo, 12 de abril de 2009

joga pro céu, então.

Porque quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida. E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros. Mas não seria natural. Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem... (mesmo?)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Vou te esperar no outro mundo.

'Antes, porém, beijo meu pai e minha mãe. Serei um bebê rolando no espaço. Satélite de quem? Que arrepio senti de repente quando disse que não era satélite de ninguém...'
clarice.

sábado, 28 de março de 2009

O amor acaba.

"Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ela atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite voltada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina;no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólem e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, ataptados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas como sangue, suor e desespero, nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjungados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade, em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplemente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; no álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da pimavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba." -paulo mendes campos.